quinta-feira, 23 de julho de 2015

A Aventura da Educação Para Todas as Idades

    No Brasil, é comum encontrar pessoas que, por vários motivos, foram obrigadas a abandonar os estudos. Segundo o perfil sociodemográfico dos idosos brasileiros, elaborado pela Fundação Perseu Abramo e pelo Serviço Social do Comércio (Sesc) em 2007, o analfabetismo funcional atinge 49% das pessoas acima de 60 anos. É o caso de Laura Rodrigues de 61 anos, que é a aluna mais velha da turma de educação física coletivo no colégio CEEBJA (Centro Estadual de Educação Básica para Jovens e Adultos). Há 15 anos ela interrompeu os estudos quando estava na primeira série do ensino médio, por motivos relacionados à saúde de sua família. Quando perguntada se sentia falta da escoa respondeu emocionada: "Chegava a chorar só de ver meus cadernos, que guardo até hoje". Laura redescobriu o prazer de estudar quando sentiu a necessidade de terminar o ensino médio para poder dar continuidade a um sonho, cursar teologia. Laura é pastora evangélica e pretende fundar uma Igreja.

    O colégio CEEBJA (Centro Estadual de Educação Básica para Jovens e Adultos) de Londrina tem como objetivo ajudar na formação acadêmica de alunos que interromperam seus estudos, seja por um curto ou um longo período. O colégio oferece duas opções de estudos: individual ou coletiva; o aluno também pode escolher quantas matérias pretende cursar de cada vez, de acordo com sua disponibilidade.

    Embora a taxa de abandono escolar na faixa etária de 18 e 24 anos tenha caído 11,5 pontos porcentuais entre 2000 e 2010, segundo IBGE, a taxa permanece alta em relação aos países europeus. O principal motivo que leva os alunos a desistirem da escola é a necessidade de trabalhar.  Eduardo Bidoia, de 19 anos, é o aluno mais novo da sala. Ele interrompeu os estudos no penúltimo ano do ensino médio. O motivo que o levou a parar de estudar foi a falta de responsabilidade com os deveres escolares, “eu queria curtir a vida”. Eduardo foi sentir falta da escola dois anos depois ao ser prejudicado na hora de conseguir um emprego melhor. 

    Em pleno século XXI, as condições de educação na zona rural ainda apresentam obstáculos físicos, isso denuncia que a educação no país não é homogênea e não atinge a todos e causa inúmeras desistências dos alunos, seja por meio da falta de transporte ou por suas precariedades. Foi o que aconteceu com Ângela, que na quarta série do ensino fundamental parou os estudos pois morava no sítio, onde não tinha escola e as más condições dificultavam o transporte. Por duas décadas ficou afastada e voltou pois sentia vergonha de sua escolaridade, incentivada pela família e com desejo de continuar os estudos voltou a sala de aula.

    Com metas traçadas, os alunos do CEEBJA, dão o primeiro paço para seguir com os estudos e quem sabe cursar uma graduação. Revelando a necessidade dos estudos como caminho para alcançar seus sonhos.


AUTORIA:
Marina Andrade
Amanda Carolina

terça-feira, 21 de julho de 2015

ONG Viver: Uma Verdadeira Família



    Sentadas no sofá da entrada da ONG Viver, esperávamos para falar com a Tatiane Maia, assistente social da ONG. De repente, presenciamos a chegada de Felipe, um menino de quatro anos que trazia consigo uma tremenda alegria. Muito agitado, Felipe entrou na sala de Tatiane, cumprimentou as pessoas que estavam lá e seguiu para o fundo da casa, onde estavam os brinquedos e as outras crianças.

    Conversamos com a mãe de Felipe, Simone Galan Cara, que é de Apucarana. Ela nos contou que Felipe nasceu com nódulos benignos no pé e passou por várias cirurgias, até que o último nódulo foi diagnosticado pela Dra. Tania Anegawa como um rabdomiossarcoma, que é um câncer que se desenvolve nas células que se tornarão músculos. Na primeira sessão de quimioterapia, Felipe passou três dias internado. Foi na segunda sessão que a família teve conhecimento da ONG Viver através de um voluntário, mas somente na terceira que Simone conheceu o espaço físico da casa.

    Simone diz que o tratamento de Felipe só aconteceu com a ajuda da ONG. Com a descoberta da doença e as sessões de quimioterapia, ele teve uma notória diminuição de apetite. A alimentação consistia praticamente em leite materno, batata frita e carne assada. Foi na ONG que o menino voltou a se alimentar, incentivado pelas outras crianças e adolescentes.

    Na ONG, a família sempre encontra o apoio necessário para os momentos difíceis. No caso de Felipe, houve situações em que ele tomava seis medicamentos ao mesmo tempo e o tratamento o deixava agressivo, agitado e nervoso. Quando voltava para casa, ele se sentia muito triste, às vezes por dias. Desde que conheceu a casa Viver, Simone destaca a ansiedade e a alegria que o filho demonstra quando vem à Londrina, pois sabe que mesmo que tenha que ir ao hospital, também vai poder visitar a ONG.

    Simone vê a casa de apoio como uma lavagem cerebral. Lá eles esquecem momentaneamente dos problemas. Eles recebem suporte, carinho, se divertem com a equipe de recreação, fazem amizades, podem falar com uma psicóloga e uma assistente social, têm uma maior liberdade e um convívio com outras crianças, que também sofrem com o isolamento e a restrição devido à imunidade baixa consequente da doença. Ela diz que a ONG é maravilhosa, faz parte da vida deles, é uma família, a família Viver, e que não há como expressar em palavras tamanha gratidão por tudo o que ela proporciona.

Conversando com a Tatiane, fomos informadas que a ONG, fundada em 2001, atende atualmente a 151 crianças e adolescentes e tem como objetivo amenizar o sofrimento delas. São oferecidos assistência social, serviço de psicologia e nutrição, tratamento odontológico, medicamentos e exames que o SUS não cobre, cesta básica, alimentação, próteses ortopédicas, além das atividades diárias de recreação, que ajuda muito no tratamento.

    Segundo Tatiane, em menos de um mês surgiram 15 novos diagnósticos, dificultando a comodidade de todos. Na atual sede da ONG, há apenas dois quartos de pernoite para pacientes que precisam ir ao hospital todos os dias, ou para as famílias cujas crianças estão internadas na UTI. Com a nova campanha “Construtores da Esperança”, em parceria com empresas privadas de Londrina, a sede será ampliada. Haverá mais quartos e um espaço maior para a alimentação e recreação. O terreno da obra foi comprado com a ajuda da campanha Mc Dia Feliz e a construtora Plaenge contribuiu com o projeto.

    Tatiane explica que os voluntários podem participar de atividades como bazar, recreação, recepção, artesanato, limpeza e organização da casa e separação dos alimentos doados para as cestas básicas. Mas, a sede não comporta muitas pessoas e por isso há uma seleção dos interessados. Há um treinamento e uma entrevista com a psicóloga da ONG.

   Todos os recursos oferecidos pela ONG provêm de doações. A contribuição se dá através de cofres solidários espalhados em empresas e estabelecimentos comerciais, carnê solidário, telemarketing e durante o ano há realização de bazares, feijoadas, pizzas e venda de camisetas, copos e objetos de artesanato.

    A ONG Viver atende de segunda a sexta os pacientes do Hospital Universitário e do Hospital do Câncer de Londrina. Situa-se na Rua Lucilla Ballalai, nº. 391 e o telefone para contato é 3343-0044. Conheça mais sobre essa família no site www.ongviver.com.br e acompanhe as notícias pelo perfil do Facebook.

Felipe


AUTORIA:
Camila Atamanczuk
Keila Horiye

segunda-feira, 13 de julho de 2015

Aumenta o Som Que Isso é Rock and Roll

A Música Londrinense Invade os Palcos com a Banda Sr. Bonifácio


    Sem sombra de dúvidas a musicalidade londrinense nunca esteve tão aquecida, e a comprovação são as casas noturnas sempre cheias. A música local toca vários estilos, mas o que mais atrai os londrinenses ainda é o bom e velho Rock and Roll.

   Hoje, um dos principais representantes do Rock londrinense é a banda Senhor Bonifácio, que surgiu por intermédio de dois ex-membros Luccas e Thiago. Eles conheciam Marcelo Celligoi e Eduardo Assad e os chamaram para formar a Sr. Bonifácio em maio de 2011.

       A banda, atualmente, está com uma nova formação: Marcelo Celligoi (voz e guitarra), Eduardo Assad Sahão (baixo e teclado), Renan Muliterno (Backing Vocal e Teclado), Pedro Kami (Bateria).
      Senhor Bonifácio explora o repertório de clássicos gênero como Beatles, Led Zeppelin, Queen, Elvis Presley. Mas também buscam inspiração no rock atual, como The Killers, Muse, Foo Fighters. Embora as influências sejam as bandas de rock que servem de espelho, eles também se inspiram na música clássica Brasileira, Jazz, Blues e Country.

A banda está se programando para lançar o seu novo trabalho autoral em março deste ano. “Costumamos dizer que vivemos um sonho. A Sr. Bonifácio chegou a um nível musical, a um prestígio e um reconhecimento jamais cogitados pelos integrantes. Obviamente, sempre procuramos melhorar musicalmente e agradar cada vez o mais o público, espalhando a boa música atrelada à marca Sr. Bonifácio’’, disse o grupo.


Finalizando, a banda manda um recado para seu público: 
"O nosso público é a nossa razão de existirmos como banda. Àqueles que curtem a Sr. Bonifácio, dizemos nosso caloroso 'muito obrigado'. Nós somos os seus maiores fãs."
    O bom e velho Rock And Roll vem embalando casais, amizades ao longo desses anos. Que permaneça assim, com sua guitarra elétrica agitada, suas composições marcantes e, principalmente, com seu público apaixonado.


AUTORIA:
Allan Cristian Milla de Souza

sábado, 11 de julho de 2015

O Feminismo Na Era Digital

       O feminismo teve início oficial na Revolução Francesa (1789-1799), porém as reivindicações de mulheres para uma melhor posição social e direitos semelhantes aos dos homens, são de muito tempo atrás.

Uma das principais e primeiras representantes desse movimento é Olympe de Gouges, uma revolucionária francesa que escreveu a “Declaração dos Direitos da Mulher”, manifesto que defendia uma melhor posição política das mulheres, no ano de 1791.

No Brasil, é de data posterior. Apenas no século XIX que é encontrado registro de manifestações de caráter feminista. Em 1922, Berta Lutz, uma das pioneiras do feminismo no Brasil, fundou a Federação Brasileira pelo Progresso Feminino, que defendia, basicamente, a auto-suficiência feminina. E o primeiro estado brasileiro a legalizar o voto da mulher foi o Rio Grande do Norte, em 1927.

Hoje em dia com o advento da internet coletivos se organizam com mais facilidade, podendo assim encontrar distintos grupos em varias redes sociais, como o coletivo de juventudes RUA que possui varias frentes de luta, sendo uma delas a frente feminista A CALOURADA FEMINISTA UEL, que engloba mulheres de diversos coletivos de londrina. Esse coletivo tem como integrante a estudante de Ciências Sociais da UEL, Brenda Schwartz que em uma breve entrevista fala um pouco sobre esse tema tão longínquo e ao mesmo tempo moderno.


Brenda define feminismo como um movimento social, que assim como diversos movimentos lutam por uma causa, e tem uma pauta delimitada, luta pela emancipação da mulher, pelo fim dos privilégios aos homens. Luta-se também pelo fim da divisão sexual do trabalho, comportamentos e liberdades devidamente divididas, em gêneros. Assim como a maioria dos coletivos a frente A CALOURADA FEMINISTA UEL organiza eventos exclusivos para mulheres para discutirem as principais temáticas do feminismo como solidariedade entre mulheres, padrão de beleza, cultura do estupro, masturbação feminina, falsa e verdadeira libertação sexual, aborto, mulheres negras, mulheres lésbicas, mulheres trabalhadoras e mães. Brenda acrescenta que esses eventos são ferramentas para fomentar a discussão e empoderar mulheres e que sempre onde houver uma, ou um grupo de mulheres debatendo e levantando pautas em espaços políticos deliberativos ou de fomentação política será uma atuação política feminista.


AUTORIA:
Giovana Santos de Marchi
Bárbara Vendrame Salviato

quinta-feira, 9 de julho de 2015

Budismo: O Caminho Para a Simplicidade

UMA RELIGIÃO QUE BUSCA O EQUILÍBRIO


Um dos assuntos mais polêmicos, discutidos e comentados nas redes sociais são as religiões. Muitas vezes não conhecemos inteiramente suas histórias nem suas filosofias. Acabamos nos baseando na internet como fonte, o que muitas vezes é perigoso. No mundo virtual nem sempre nos deparamos com a verdade. Um grande exemplo disso é o Budismo.

         A curiosidade é uma das principais características dos seres humanos e nos leva a buscar incessantemente respostas e sensações diferentes. O Budismo tem suas peculiaridades e cada vez mais vem conquistando adeptos e instigando o interesse de muita gente.   
      
      Considerado sim, uma religião, o Budismo tem o Universo em si como deus. Os fieis seguem os ensinamentos daquele que é considerado Buda, que, segundo seus seguidores, foi alguém que despertou para as leis da natureza e passou seus ensinamentos para as pessoas. Acreditam que tudo que acontece em nossas vidas é reflexo de nossos carmas. Nossas ações podem gerar carmas positivos, negativos ou neutros. O positivo é gerado por ações cujo propósito é ajudar outros seres. O carma neutro é gerado por ações não intencionais. Já o negativo é gerado pelos atos que têm por finalidade prejudicar os outros e, para se livrar disso, pronunciam um mantra, que é uma espécie de hino dito de forma repetida tendo como objetivo relaxar e induzir a um estado de meditação em quem canta ou escuta. Além disso, praticam boas ações para acumular virtudes e se esforçam para eliminam o mal.

        João Felipe Vieira, ou Gyouun Vieira, estudante de Jornalismo, 24 anos, resolveu mergulhar nos mistérios desta religião. Se encontrou, e, no ano passado, foi ordenado monge. Os alunos Victor Souza e Fernanda Iwamoto foram conhecer um pouco do dia a dia de um jovem que decidiu se dedicar inteiramente ao Budismo, desmentindo alguns tabus e conhecendo mais profundamente uma crença que vem encantando mais e mais pessoas por sua simplicidade, desapego ao material e busca pela paz.

Cerimonia de ordenação de João Felipe como monge.

                                                                                    Apresente o Budismo.

“O Budismo é sim uma religião, muita gente confunde dizendo que é uma filosofia de vida, que somos ateus, que não acreditamos em deus. Realmente, se você for comparar com o Cristianismo, com o Catolicismo e outras vertentes, nós não acreditamos nesse deus que eles falam. Porém, nós acreditamos que exista algo superior. Para os Budistas deus é o Universo em si. Todos nós somos um pedacinho dessa vida, dessa unicidade universal. Nós seguimos os ensinamentos de há mais de dois mil e seiscentos anos atrás, daquele que é considerado Buda. E ele não é considerado por nós como um deus, diferentemente do que muitos pensam. Ele mesmo disse que é apenas alguém que despertou para as leis da natureza. Ele dizia: "Existe algo superior a mim. Apenas sou uma pessoa privilegiada que despertei para isso, vi como funcionam essas leis, de ação e reação, interdependência, causa e efeito, e trouxe esses ensinamentos para vocês." Seguimos os ensinamentos dele, porém não o consideramos um deus. Como você pode ver aqui no templo, nós não temos imagens dele, nem imagens de nada. Em cada época, enquanto Buda era vivo, ele adaptou esses ensinamentos a cada pessoa, de acordo com a capacidade de cada ouvinte, e nos oito últimos anos anteriores à sua morte, ele deixou um ensinamento chamado Sutra Lotus, que substituiu todos os outros. Foi como a conclusão dos seus ensinamentos. O trabalho final dele é esse Sutra, o Sutra Lotus, que é o que nós seguimos ainda hoje. Consiste na pronúncia de um mantra, que é o "NAMUMYOUHOURENGUEKYOU", com o intuito de eliminar o nosso carma negativo. O que acontece de ruim em nossas vidas, todos os nossos elos negativos, são por causa desse carma que nós temos. Então, pronunciamos esse mantra, para eliminar o nosso carma negativo. As boas ações, claro, vão acumular virtudes, vão nos trazer elos positivos, porém só isso não é suficiente. O Budismo, em resumo, é fazer o bem e eliminar o mal.”

Gostaria que você contasse um pouco de como é seu dia a dia.


 “Bom, meu dia a dia como monge aqui no templo é acordar cedo, umas quatro e meia da manhã, fazemos a limpeza do templo, isso até os praticantes chegarem. Quando eles chegam, às 7 horas da manhã, nós começamos a cerimônia Budista que vai até mais ou menos 15 para as 8h. Depois desse horário, nós temos as visitas agendadas, ou alguns cultos Budistas residenciais, também agendados e fazemos isso ao longo do dia. Então depende muito do que estiver marcado para o dia. Não há uma rotina fixa. Toda a manutenção aqui do templo é nossa responsabilidade, a limpeza, as reformas, enfim, a gente faz o que tiver para fazer. Nossa função, como monges, é fomentar a prática Budista. Moramos no templo, cuidamos do templo para que eles possam vir aqui e simplesmente praticar o Budismo.”


O que te levou a escolher o budismo como religião?

“Acho que como a maioria das pessoas que procuram o Budismo, você, em algum momento da sua vida, passa por alguma dificuldade ou uma fase difícil, não precisa ser nada de muito sério não. A gente quando é jovem, muitas vezes, qualquer bobagem é o suficiente para você ficar preocupado, chateado, depressivo. E eu procurei na filosofia Budista o que me animasse. Vindo aqui ao templo, eu realmente senti uma diferença muito grande na minha vida, praticando o Budismo, minha vida melhorou muito. Como pessoa eu mudei. O Budismo não é uma religião que faz você receber coisas de fora. Ninguém vem aqui e fica rico e sai dizendo “eu ganhei isso, ganhei aquilo.” Eu acho que a melhor benção que eu recebi aqui foi eu ter mudado como pessoa. Eu tenho as mesmas coisas, talvez eu tenha a mesma vida, a mesma situação, mas eu vejo tudo isso de uma forma diferente e eu consigo ser feliz com essa nova forma que eu vejo a vida.”

Existe algum tipo de hierarquia na religião?

“Sim, em primeiro lugar estão os praticantes. Todas as pessoas que frequentam o templo com o intuito de praticar o Budismo, são o mais alto grau da hierarquia. Abaixo deles estão os monges e os sacerdotes, entre os monges e os sacerdotes existe a hierarquia de tempo. A cada cinco anos você sobe um grau. Eu, por exemplo, sou do quinto grau. Os números vão diminuindo, então o sacerdote de quarto grau é superior a mim, aí vem o de terceiro grau, de segundo grau, primeiro grau e assim por diante, de acordo com o tempo de sacerdócio que ele tem. Mas os fiéis, os praticantes estão em primeiro lugar. É diferente a hierarquia. O clero não está acima do praticante.”



Como funciona o conceito de reencarnação no Budismo?

“Nós chamamos de renascimento. Nós acreditamos que essa energia que cada um tem que lhe torna vivo ela faz parte do Universo e sempre vai continuar fazendo. Assim como a lei de Lavoisier: nada se perde, nada se cria, tudo se transforma. Essa sua energia, embora o seu corpo faleça, vai continuar fazendo parte do Universo, porém se transformará em outra coisa. E devido aos seus elos é que você vai renascer como humano. Uma vez que se está no estado humano, dificilmente você regride, porque você já tem elos para isso. Você renascerá e esse renascimento vai depender dos elos que você cultivou enquanto vivo.”

Como o budismo interfere na sua vida social e profissional?

“Não tem nenhuma regra rígida, a não ser o fato de que eu me dedico exclusivamente ao Budismo. Não tenho nenhuma outra atividade profissional paralela. Eu posso estudar, fazer a faculdade, assim como eu faço, pode namorar, pode casar, pode sair com os amigos, mas tenho que morar aqui no templo, porque ele é nossa responsabilidade, então ficamos aqui para poder cuidar dele. Mas fora isso, você pode constituir família, pode fazer várias coisas que uma pessoa normal faz, só que o seu trabalho é integral aqui.”
                                                                                                   
A castidade, então, seria um boato também?

“Sim, pelo menos nessa vertente do Budismo não existe a castidade, muito pelo contrário. Você necessariamente, por exemplo, pra ser o responsável por um templo, precisa ter uma família, você precisa dessa experiência. Imagine que uma pessoa busque aconselhamento com você a respeito da família ou a respeito dos próprios filhos. Como que você vai aconselhar uma pessoa se você não sabe o que é isso? Se você não sabe o que essa pessoa passa, porque você não tem. Então, um monge precisa sim ter essas experiências. O Budismo, atualmente, não busca isolar o indivíduo da comunidade, dos problemas da sociedade, pelo contrário, você tem que estar inserido nesses problemas, você tem que lidar diretamente com esses problemas e, para te ajudar a fazer isso, você tem a prática budista.”

Você faz jornalismo e é monge ao mesmo tempo. Como conciliar as duas coisas e quais são seus planos para o futuro?

"Faço Jornalismo para que a experiência do curso me ajude na vida sacerdotal. Quando terminar a faculdade ficarei apenas como monge. É uma missão para a vida toda, mas eu posso buscar coisas que agreguem valor a jornada, como a faculdade, por exemplo."

O que você diria a alguém que tem curiosidade e gostaria de conhecer o budismo?


“O mais importante é procurar o templo. Muita coisa se encontra sobre o Budismo na internet, por exemplo, mas nem tudo é verdade. Eu comecei procurando na internet, mas depois que eu conheci o templo, eu vi que muita coisa daquilo que eu tinha visto lá não tinha nada a ver com o que prega o Budismo. Geralmente, é alguém que inventou isso, que acaba misturando com algumas coisas do Budismo e fala que isso é Budismo. E, como aqui no Brasil, se trata de uma religião pouco conhecida, as pessoas acham que é verdade. Qualquer um fala qualquer coisa e, como ninguém conhece, acabam acreditando. Portanto, o mais importante é: se você tem curiosidade, é procure um templo Budista para saber o que é realmente o Budismo e, quem sabe, poder praticar e ver se isso se encaixa na sua vida!”

Para conferir a entrevista completa, clique aqui.



AUTORIA:
Victor Camargo Martins de Souza
Fernanda Iwamoto

Do Abandono ao Acolhimento


ONG S.O.S Vida Animal Promove Feira de Adoção de Animais



“Ele ama crianças, é doce, é brincalhão, ele é perfeito.” - Elena, tutora temporária.
Jhony, 2 anos de idade. Desde muito pequeno já possui história de sobrevivente. Ainda bebê foi abandonado, atropelado, e teve que encarar os perigos da vida.Sua trajetória mudou de rumo quando teve o primeiro contato com a Dra. Cris, da SOS Vida Animal. Durante um tempo ficou em um lar temporário. Porém a família mudou-se para um apartamento e Jhony já não se encaixava nessa realidade. Você deve estar se perguntando, quem é Jhony? Pois bem, Jhony é um ex-cachorro de rua, sem raça definida, e como muitos outros cães, se encontra esperando um lar, para receber e dar muito amor e carinho. Fundada em 1989, a SOS Vida Animal presta assistência a cães e gatos abandonados na cidade de Londrina. A ONG promove todos os sábados uma feira de adoção na cidade.
Feira realizada na Central de decorados Plaenge.

Segundo a presidente da entidade, a veterinária Ana Paula Moller Policeno , nas feiras são doados cerca de cem animais por mês, um número de vinte e cinco animais por sábado. A ONG possui também um abrigo com cerca de vinte cães que foram resgatados anteriormente. 

A maior dificuldade hoje é o setor financeiro. “Temos uma despesa fixa nos processos, como o abrigo, as feiras e os pagamentos de taxa de banco. Que geram quatro mil reais de despesa”, afirma Ana Paula. A ONG tem um débito negativo de mil e quinhentos reais mensais, que segundo a presidente são cobertos pela vendas de calendários, vacinas aplicadas durante as feiras e pelas taxas de cinco reais por animal que são expostos.
“Hoje precisaríamos de apoio de empresas privadas, da sociedade e de até mesmo de órgãos públicos para que sejam colocados em andamentos os projetos já propostos, em que seria o principal deles o de castração”.


Muitos animais abandonados tem seus futuros transformados em feiras de adoções como estas. Com Jhony não foi diferente.

Ele foi adotado por uma família que veio busca mais um membro para a família.
Com todo seu amor,carinho e muita animação, Jhony conquistou as crianças e todos que passaram pela feira. 
Apesar de todo sofrimento e rejeição, é difícil resistir ao seu jeito simples e  carinhoso.
“Como família estamos muito felizes, vai ser uma nova experiência. A família está aumentando, porque um cachorro é um membro dela.” afima Mirian, que adotou Jhony durante a feira.


Elena, tutora temporária e Mirian, nova dona de Jhony.

AUTORIA:
Matheus Fernandes
Ana Brolio



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