quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Que Massa! Food Truck - Boa Comida, Preço Justo E Ambiente Agradável

Mesmo em momentos de crise, há setores da economia que vão muito bem. Popular em países europeus e nos Estados Unidos, os food trucks vêm, nos últimos anos, ganhando espaço no Brasil. Segundo o Sebrae, 2% da população está envolvida neste negócio, que se tornou a principal fonte de renda de várias pessoas. 

Em Londrina o cenário não é diferente. Há dezenas de opções de food trucks e vários locais ao ar livre onde você pode matar a fome, a sede e, ao mesmo tempo, fazer amizades.
Que massa! Food Truck 
 Quando pensamos em comida de rua, lembramos das feirinhas que servem receitas caseiras tradicionais. Os food trucks estão quebrando esse conceito, trazendo novidades gastronômicas, revisando pratos populares e movimentando o mercado com esse segmento, que é recente no país. 

Agora, existem pessoas que se prepararam para estar à frente desse tipo de negócio. É o caso de Guilherme Martins Scaff, com 21 anos, formado em Gastronomia pela Unifil, que comanda o food truck “Que massa!”, em Londrina.

Guilherme, que já foi vendedor em uma loja de ferramentas, se interessou por Gastronomia por ter a oportunidade de promover lazer e cuidar da saúde através da comida. Para seguir essa profissão, abandonou o curso de Direito, por achar que esta é uma área muito saturada e percebeu que o ramo dos food trucks era uma boa oportunidade, com investimento relativamente baixo, que não dependeria de aluguel e que estava crescendo em Londrina. 

No “Que massa!” você encontra massas frescas produzidas artesanalmente com farinha 0000 importada da Argentina e molhos preparados durante horas, que são combinados ao gosto do freguês e com uma característica muito importante: preço justo.

Durante seu horário de almoço, Guilherme contou que escolheu abrir um food truck de massas porque os mais conhecidos eram de hambúrguer. Era preciso fazer algo novo. “Com a crise econômica as pessoas continuam buscando boa comida como forma de lazer, e os food trucks são uma alternativa”. E o projeto não para por aqui. O objetivo é abrir outro food truck daqui a alguns meses, com o desejo de concretizar essa tendência. “É preciso pesquisar, correr atrás, avaliar os riscos e fazer o que gosta”.

Há quem pense que, para ser um chef de cozinha bem sucedido, é necessário estar à frente de um restaurante conceituado que tenha preços altos. Com relação ao preconceito, ele conta que muitos chefs famosos têm seus próprios food trucks. Um ambiente perfeito para divulgação e para estar mais perto do público. “A pessoa só precisa analisar a qualidade e higiene do truck e da comida, porque o mesmo tratamento que ele dá para o seu produto no truck é o que ele tem no pré-preparo da comida”.

Os modelos de veículos e o custo para abrir o negócio variam bastante. Segundo o Sebrae, o investimento pode variar entre 50 e 70 mil reais, chegando até  200 mil reais, dependendo da tecnologia utilizada, adequações de suspensão e freios para tolerar o peso da cozinha e os equipamentos. 


A parceria entre os food trucks está presente em Londrina, e isso é capaz de eliminar o sentimento de concorrência. Os donos formam parcerias para fazer eventos e, assim, há uma amizade entre eles. “Se só um truck está vendendo em um lugar, não atrai tantas pessoas como é quando vários se reúnem e fazem um evento. As pessoas se interessam mais e as vendas são melhores para todos”, garante Guilherme.
Cardápio do Que massa!
O segmento dos food trucks está bem forte e veio para ficar. “Mesmo que outros tipos de negócio surjam, os food trucks vão permanecer, assim como os restaurantes tradicionais não deixaram de existir com o surgimento desse segmento”.

O empreendedorismo jovem está aumentando em diversos setores do mercado, e o food truck é uma ideia para quem possui esse espírito. “O empreendedor é aquele que deixa de sonhar e põe em prática”.

O “Que massa!” está na Vanguard Home às quintas-feiras e no Mercadão da Prochet aos sábados, e aceita convites para eventos privados, aniversários e formaturas. Outros eventos são divulgados na página do Facebook: https://www.facebook.com/quemassafoodtruck/

AUTORIA:
Camila Atamanczuk da Silva

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Casa Da Sopa: Mata A Fome E Alimenta O Espírito

    Filho de italiano e de mineira, seu Dário é um morador de rua incrivelmente inteligente e bem informado. Muito religioso, acredita fortemente em suas crenças e tem um conhecimento surpreendente sobre a bíblia.

    Quando era mais novo conheceu uma mulher muito bonita, mas não se casaram. Porém, juntos tiveram uma filha chamada Jaqueline. Há três anos, por não ter pago pensão à filha, seu Dário foi obrigado a dar para ela a sua casa, que era uma herança de seus pais. Desde então, ele mora na rua. 

    Seu Dário trabalhou como expedidor em vários lugares do Brasil, chegando até a ser supervisor de uma empresa após passar por um processo seletivo. Atualmente ele é aposentado por invalidez devido a um problema na perna esquerda. Recebe um salário mínimo por mês. Apesar de viver na rua, Dário não se sente sozinho. Ele frequenta a Casa da Sopa onde encontra os amigos e convive com diversos tipos de pessoas. Um local que oferece não apenas comida, mas é uma espécie de abrigo, onde os necessitados podem tomar banho, fazer a barba, enfim, se sentirem acolhidos como em um lar.

Casa da Sopa
    Com mais de 21 anos de funcionamento, a Casa da Sopa conta com a ajuda de instituições que fazem caridade durante alguns períodos do ano, através de donativos da comunidade.

    Toda a ação é feita por voluntários. Na segunda-feira um grupo religioso faz a sopa, na quarta-feira um grupo diferente prepara o café da manhã e o jantar e a quinta é responsabilidade de outro grupo.

    Estima-se que cerca de 70 a 100 pessoas visitam o local em busca de alimento na quinta-feira. Mas, todos os dias são movimentados. Assim como Seu Dário, Manuel também procura a Casa da Sopa para matar a fome e alimentar o espírito. 

    Nascido em Minas Gerais, neto de Judeu e alemã, há três anos Manuel mora em barracões da Prefeitura localizados atrás da Universidade Tecnológica Federal do Paraná. Com naturalidade ele conta que caminha por duas horas até chegar à casa da sopa e depois retorna já de madrugada.

Casa da Sopa
    Quando está no centro Manuel recolhe lixo reciclado nas ruas. É notável o seu vasto entendimento a respeito da política e da realidade econômica atual do nosso país. Entre uma conversa e outra, Manuel conta que fugiu de sua terra natal devido às condições precárias em que sua família vivia. Eles eram submetidos ao trabalho escravo. Mas Manuel não se sujeitou. Ele estudou e queria ser um engenheiro.

    Os conhecidos de Manuel o elogiam muito. Dizem que ele é uma pessoa muito dedicada, solidária e que até foi candidato a deputado e fez parte da chapa de um ex-prefeito de Londrina. Infelizmente, segundo eles, o candidato só quis se aproveitar da boa vontade e popularidade de Manuel entre os moradores de rua.

    Depois da janta e das conversas, Manuel tomou o longo rumo de casa. Deixou lembranças e um recado: “minha inteligência vem dos céus”.
Manuel
AUTORIA:
Keila Horiye
Raul Silva

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