Filho de italiano e de mineira, seu Dário é um morador de rua incrivelmente inteligente e bem informado. Muito religioso, acredita fortemente em suas crenças e tem um conhecimento surpreendente sobre a bíblia.
Quando era mais novo conheceu uma mulher muito bonita, mas não se casaram. Porém, juntos tiveram uma filha chamada Jaqueline. Há três anos, por não ter pago pensão à filha, seu Dário foi obrigado a dar para ela a sua casa, que era uma herança de seus pais. Desde então, ele mora na rua.
Seu Dário trabalhou como expedidor em vários lugares do Brasil, chegando até a ser supervisor de uma empresa após passar por um processo seletivo. Atualmente ele é aposentado por invalidez devido a um problema na perna esquerda. Recebe um salário mínimo por mês. Apesar de viver na rua, Dário não se sente sozinho. Ele frequenta a Casa da Sopa onde encontra os amigos e convive com diversos tipos de pessoas. Um local que oferece não apenas comida, mas é uma espécie de abrigo, onde os necessitados podem tomar banho, fazer a barba, enfim, se sentirem acolhidos como em um lar.
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| Casa da Sopa |
Com mais de 21 anos de funcionamento, a Casa da Sopa conta com a ajuda de instituições que fazem caridade durante alguns períodos do ano, através de donativos da comunidade.
Toda a ação é feita por voluntários. Na segunda-feira um grupo religioso faz a sopa, na quarta-feira um grupo diferente prepara o café da manhã e o jantar e a quinta é responsabilidade de outro grupo.
Estima-se que cerca de 70 a 100 pessoas visitam o local em busca de alimento na quinta-feira. Mas, todos os dias são movimentados. Assim como Seu Dário, Manuel também procura a Casa da Sopa para matar a fome e alimentar o espírito.
Nascido em Minas Gerais, neto de Judeu e alemã, há três anos Manuel mora em barracões da Prefeitura localizados atrás da Universidade Tecnológica Federal do Paraná. Com naturalidade ele conta que caminha por duas horas até chegar à casa da sopa e depois retorna já de madrugada.
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| Casa da Sopa |
Quando está no centro Manuel recolhe lixo reciclado nas ruas. É notável o seu vasto entendimento a respeito da política e da realidade econômica atual do nosso país. Entre uma conversa e outra, Manuel conta que fugiu de sua terra natal devido às condições precárias em que sua família vivia. Eles eram submetidos ao trabalho escravo. Mas Manuel não se sujeitou. Ele estudou e queria ser um engenheiro.
Os conhecidos de Manuel o elogiam muito. Dizem que ele é uma pessoa muito dedicada, solidária e que até foi candidato a deputado e fez parte da chapa de um ex-prefeito de Londrina. Infelizmente, segundo eles, o candidato só quis se aproveitar da boa vontade e popularidade de Manuel entre os moradores de rua.
Depois da janta e das conversas, Manuel tomou o longo rumo de casa. Deixou lembranças e um recado: “minha inteligência vem dos céus”.
AUTORIA:
Keila Horiye
Raul Silva



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