Quando pensamos na figura de um fotógrafo logo remetemos à fotos de casamento, baladas, chás de bebê ou mesmo ensaios publicitários. Mas que tal pensar em algo mais humano, que toque realmente na essência de humanidade. Lírica Aragão tem 25 anos de idade e um olhar capaz de enxergar o invisível. A fotógrafa documental tem se destacado em Londrina, com um trabalho delicado, mas ao mesmo tempo de enorme criticidade. Em suas imagens percebe-se a ambição da mulher por trás de sua câmera.
“Eu comecei do lixo”. Tão forte quanto à própria imagem dela, essa foi à resposta que tivemos quando quisemos saber como tudo começou. Lírica nos contou que iniciou sua carreira fotografando teatro e pequenas bandas underground, em bares como o Strettos e o Potiguá. “Foram cinco anos sem ganhar um real sequer, às vezes, uma tubaína e uma coxinha”.
O foco é o dia a dia, o drama, cenas do cotidiano de Londrina, que acontecem a todos os momentos. Às vezes imperceptíveis, devido à velocidade do mundo moderno, vem daí a inspiração para registrar determinadas situações. O projeto Londrama tem sete meses de existência e sua página possui centenas de curtidas no Facebook. “Londrina não é só Igapó e calçadão. Londrina é drama pra cacete, é muito drama”.
Mas não são somente dramas que o projeto retrata. Na conversa que tivemos com Lírica, entendemos as dificuldades vividas pelos fotógrafos que buscam reconhecimento. As angústias que levam muitos a optar por outros países.
Lírica Aragão está além daquilo que classificamos como fotógrafa profissional. Seu olhar doce, sensível, mas ao mesmo tempo gritante demonstra a força de uma mulher que se torna independente, forte e determinada a transformar aquilo que acredita por meio da fotografia. “Meu trabalho é feito com muito amor e muita "pira”.
A admiração pela pessoa não ficou somente conosco que a entrevistamos. Lírica veio à UEL na quarta-feira, 02 de setembro, convidada pelo professor de Fotografia e Redação, Luciano Pascoal. Numa palestra que encantou cada um dos alunos, contou um pouco de sua vida e história, com seu jeito indiscutivelmente único e trouxe à luz, esta a alma da fotografia, o amor pela arte.
Victor Camargo Martins de Souza
Matheus Fernandes
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Muito bom Victor e Matheus, é importante que a sociedade conheça estes talentos.
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