Todas as crianças possuem um brilho no olhar. As que
moram nas periferias, ou as que vivem em condomínio fechados. E todas as
crianças buscam um pouco de atenção. Mas há lugares onde a carência é maior.
Nos subúrbios, nas favelas, nos bairros afastados, uma multidão de pequenos
seres esperam sair da invisibilidade. É para este público que o fotógrafo
Gustavo Carneiro direciona sua lente. Em cada registro traz também um pouco de
suas almas.
Gustavo Carneiro nasceu e cresceu em uma vila em Cornélio
Procópio.Começou a fotografar em 2002, e profissionalmente entre 2005 e 2006. O
projeto “Cores do Gueto” teve início em 2012, quando percebeu que já tinha um
vasto material de crianças em comunidades, ocupações, guetos. Foi natural.
Gustavo acredita que as crianças são o futuro, a
verdadeira esperança da humanidade, pois “possuem uma mente mais consciente e
revolucionária. Elas são as responsáveis por surgir em nós um sentimento de
querer melhorar.” Há nele um fascínio evidente por sua inocência,
principalmente as da periferia, que são ainda mais cativantes.
“Chegar na favela e ver aquele monte de criança correndo
e pulando em cima de mim". É isso que o motiva a continuar o projeto. É
muito importante que elas sejam vistas, não apenas pelas pessoas de fora, mas
que elas possam ter consciência delas mesmas, que suas famílias entendam
através de uma imagem o que na vida real não está tão claro para elas.

O “Cores do Gueto” é um projeto muito complexo e
profundo, que ele quer seguir por toda a vida, sem pressa. Seria tolice fazer
um trabalho superficial. Pretende visitar todos os estados brasileiros, sempre
com o objetivo de levar as pessoas do centro para a periferia. Gustavo quer
incentivá-las a interagir com os moradores, dialogar com eles, e não vê-los
apenas como empregados, motoristas, crianças que pedem dinheiro no farol.
Seu trabalho é exposto em ocupações porque considera um
absurdo fazer registros das pessoas de lá e exibi-las no centro, “é como se
estivesse roubando uma alma.” Ele quer manter as fotos nos ambientes em que
elas foram feitas, pois quem adora ver as fotos dessas crianças são seus
familiares, podendo enxergá-las de uma forma diferente.

Ele não vende as fotos, pois não as considera suas. Ele
não quer que as pessoas tenham dó, mas que vão às exposições e conheçam essas
crianças, que conversem com elas. É muito importante que haja uma interação
entre diferentes grupos sociais e econômicos. "Lá não é uma selva, não tem
um monte de leão, cobra, escorpião, como as pessoas pensam. Se elas as
conhecerem de fato vão perceber que, na verdade, são todos seres humanos,
pessoas divertidas e extremamente leais."
Visitou, no Paraná, aproximadamente 25 cidades. No Rio,
ficou no Morro da Babilônia por vinte dias, Chapéu Mangueira, Complexo da Maré
(onde visitou Nova Holanda e Parque União), e em Bangu. Gustavo destaca a
dificuldade do contato com as pessoas da comunidade, porém por se identificar e
trabalhar com o rap, pode desenvolver um bom diálogo. Ele constatou duas ideias
de guetos completamente diferentes. A precariedade das comunidades aqui do
Paraná são extremamente maiores que as do Rio que apresentam uma estrutura
visivelmente melhor.

Muito do que faz pela causa social tem influência dos
seus pais. Ele os vê como pessoas do gueto. Sua mãe era muito pobre, morava em
uma vila perigosa em Cornélio Procópio e seu pai veio do sítio, o típico
caipira.
A primeira edição da exposição ocorreu em 20 de dezembro
do ano passado. A segunda foi em 12 de julho e uma terceira edição acontecerá
no dia 20 de dezembro também, em um domingo. Ele não está sozinho no projeto, a
jornalista Amanda Abranches escreve os textos para as
fotos que são publicadas em suas páginas sociais.
“Não é fotografar as crianças para mostrar uma tristeza.
De forma alguma. Eu quero mostrar a dignidade que tem nelas. Como elas são
dignas de uma atenção, de um olhar".
Facebook: Cores do Gueto
Instagram: @coresdogueto
Tumblr: http://gustavocarneiro.tumblr.com
AUTORIA:
Bárbara V. Salviato
Keila Horiye





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