quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Retratos De Uma Alma Inocente


    Todas as crianças possuem um brilho no olhar. As que moram nas periferias, ou as que vivem em condomínio fechados. E todas as crianças buscam um pouco de atenção. Mas há lugares onde a carência é maior. Nos subúrbios, nas favelas, nos bairros afastados, uma multidão de pequenos seres esperam sair da invisibilidade. É para este público que o fotógrafo Gustavo Carneiro direciona sua lente. Em cada registro traz também um pouco de suas almas.
    Gustavo Carneiro nasceu e cresceu em uma vila em Cornélio Procópio.Começou a fotografar em 2002, e profissionalmente entre 2005 e 2006. O projeto “Cores do Gueto” teve início em 2012, quando percebeu que já tinha um vasto material de crianças em comunidades, ocupações, guetos. Foi natural.

    Gustavo acredita que as crianças são o futuro, a verdadeira esperança da humanidade, pois “possuem uma mente mais consciente e revolucionária. Elas são as responsáveis por surgir em nós um sentimento de querer melhorar.” Há nele um fascínio evidente por sua inocência, principalmente as da periferia, que são ainda mais cativantes.
    
    “Chegar na favela e ver aquele monte de criança correndo e pulando em cima de mim". É isso que o motiva a continuar o projeto. É muito importante que elas sejam vistas, não apenas pelas pessoas de fora, mas que elas possam ter consciência delas mesmas, que suas famílias entendam através de uma imagem o que na vida real não está tão claro para elas.

    O “Cores do Gueto” é um projeto muito complexo e profundo, que ele quer seguir por toda a vida, sem pressa. Seria tolice fazer um trabalho superficial. Pretende visitar todos os estados brasileiros, sempre com o objetivo de levar as pessoas do centro para a periferia. Gustavo quer incentivá-las a interagir com os moradores, dialogar com eles, e não vê-los apenas como empregados, motoristas, crianças que pedem dinheiro no farol.

    Seu trabalho é exposto em ocupações porque considera um absurdo fazer registros das pessoas de lá e exibi-las no centro, “é como se estivesse roubando uma alma.” Ele quer manter as fotos nos ambientes em que elas foram feitas, pois quem adora ver as fotos dessas crianças são seus familiares, podendo enxergá-las de uma forma diferente.


    Ele não vende as fotos, pois não as considera suas. Ele não quer que as pessoas tenham dó, mas que vão às exposições e conheçam essas crianças, que conversem com elas. É muito importante que haja uma interação entre diferentes grupos sociais e econômicos. "Lá não é uma selva, não tem um monte de leão, cobra, escorpião, como as pessoas pensam. Se elas as conhecerem de fato vão perceber que, na verdade, são todos seres humanos, pessoas divertidas e extremamente leais."

    Visitou, no Paraná, aproximadamente 25 cidades. No Rio, ficou no Morro da Babilônia por vinte dias, Chapéu Mangueira, Complexo da Maré (onde visitou Nova Holanda e Parque União), e em Bangu. Gustavo destaca a dificuldade do contato com as pessoas da comunidade, porém por se identificar e trabalhar com o rap, pode desenvolver um bom diálogo. Ele constatou duas ideias de guetos completamente diferentes. A precariedade das comunidades aqui do Paraná são extremamente maiores que as do Rio que apresentam uma estrutura visivelmente melhor.

Muito do que faz pela causa social tem influência dos seus pais. Ele os vê como pessoas do gueto. Sua mãe era muito pobre, morava em uma vila perigosa em Cornélio Procópio e seu pai veio do sítio, o típico caipira.
A primeira edição da exposição ocorreu em 20 de dezembro do ano passado. A segunda foi em 12 de julho e uma terceira edição acontecerá no dia 20 de dezembro também, em um domingo. Ele não está sozinho no projeto, a jornalista Amanda Abranches escreve os textos para as fotos que são publicadas em suas páginas sociais.

“Não é fotografar as crianças para mostrar uma tristeza. De forma alguma. Eu quero mostrar a dignidade que tem nelas. Como elas são dignas de uma atenção, de um olhar".





 Facebook: Cores do Gueto

 Instagram: @coresdogueto
 Tumblr: http://gustavocarneiro.tumblr.com

AUTORIA:

Bárbara V. Salviato
Keila Horiye

Um comentário:

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