Cabelo ruim, cabelo duro, pixaim, miojo, “bombril”, são alguns estereótipos utilizados para descrever os cabelos encaracolados.Muitas pessoas, na maior parte mulheres, passam por transformações químicas para serem aceitas pela sociedade que impõe cabelos lisos.
De acordo com uma pesquisa da Unilever, realizada pela Kantar WorldPanel em 2012, 51,4% das brasileiras têm os cabelos originalmente cacheados ou crespos.Porém apenas 30% conservam os cachos, enquanto 15,9% alisam e 5,5% relaxam os fios, tornando-os ondulados.
A ditadura dos cabelos lisos é tão grave ao ponto de algumas mulheres ficarem carecas pelo excesso de tratamentos químicos. São escovas, progressivas, chapinhas e relaxamentos que danificam os fios causando o ressecamento e a quebra.
Essa imposição pode ser considerada como preconceito, este que acontece até com as pessoas famosas e de influência na mídia como a atriz Taís Araújo que foi vítima de ataques racistas ao postar uma foto na sua pagina do Facebook. Na maioria das novelas pode-se perceber que o cabelo cacheado sempre é o cabelo feio, o cabelo do pobre, nunca é visto como bonito ou sensual, deixando esse papel para as atrizes com cabelos completamente lisos.
Mas agora a tendência começa a mudar, algumas pessoas estão entendendo a importância de se assumirem do jeito que são. Perceberam o mal que faziam aos seus cabelos e agora buscam maneiras para recuperar os cachos.A maior fonte de pesquisa está na internet, localizadas em páginas e grupos do Facebook, blogs ou até em vídeos do YouTube.
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| Blogueira Rayza Nicácio |
Algumas mulheres que estão passando pelo período da transição do cabelo liso para o crespo, ou que sempre foram cacheados porém não sabiam como cuidar de seus cabelos, postam dicas na internet para compartilhar conhecimentos com os que também estão passando por isso. As blogueiras e youtubers postam textos e vídeos motivadores para aceitação dos cabelos, mostram produtos que utilizam e a maneira como finalizam (penteiam/arrumam) o cabelo, além de mostrar penteados e acessórios para os cachos.
Uma blogueira chamada Rayza Nicácio ensinou um método chamado fitagem, que consiste em separar o cabelo em mechas no seu canal do YouTube e depois as meninas mostram o antes e depois no blog e contam sua história com o cabelo cacheado e a aceitação aos cachos, a indústria cosmética percebeu isso e está fazendo produtos mais específicos para os cachos.
A fotógrafa e estudante de Relações Públicas da UEL Anna Paula Prado, está criando um projeto chamado desCONSTRUINDO, voltado para as pessoas cacheadas. Anna, que até então sempre fazia alisamentos em seu cabelo, conta que ao conversar com suas amigas, percebeu que aquela não era sua identidade verdadeira, “ Demorei muito tempo para conseguir me aceitar,essa foi a parte mais difícil, ver como eu sou de verdade”.
Para voltar aos cachos, Anna buscou ajuda nos blogs, vídeos, grupos do Facebook sobre cabelos cacheados e transição, “eu adicionava pessoas que não conhecia perguntando o que ela fazia no cabelo e como era passar pela transição ”.
Primeiro ela começou a entrevistar meninas próximas a ela, da UEL mesmo que tem cabelo cacheado “ Já gravei vários vídeos com as meninas e quero entrevistar mais pessoas, todas as que eu tiver oportunidade”.
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| Anna Paula |
O último tratamento químico que ano fez foi no final do ano passado e a ultima vez que alisou foi no começo do ano. Logo depois ela colocou trancinhas para ajudar no crescimento do cabelo enquanto espera seus cachos ficarem maiores. “Gostei tanto das trancinhas que nem sei se quero mais tirar”, diz Anna dando risadas.
“Eu precisava me aceitar do jeito que sou e mudar para a minha identidade verdadeira, que é o black power” .
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| Anna Paula |
Os cabelos cacheados estão fazendo cada vez mais a cabeça das pessoas, todos tem o direito de ser livre, ter o cabelo do jeito que quiserem e não da maneira que a sociedade impõe, o fundamental é se amar .
Transição da Anna Paula:
AUTORIA:
Gabriela Gebauer










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