Várias profissões, apesar de importantes, ainda são um mistério. É o caso das Relações Públicas, uma profissão, que, infelizmente, ainda é desconhecida por muitos.
O surgimento dessa atividade se deu nos
Estados Unidos durante um período de conflito bélico, no período pós 1ª Guerra
Mundial. Os públicos das organizações (em especiais as empresas), que antes
eram ignorados, passaram a ser vistos de uma maneira diferente, pois os
administradores compreenderam que o sucesso de seus negócios estava ligado à
satisfação das pessoas relacionadas a eles, ou seja: a um bom relacionamento.
Foi assim, então, que nasceu essa atividade:
o Relações Públicas tornou-se responsável por gerenciar esses relacionamentos,
buscando alinhar as expectativas dos públicos e das organizações. Essa
definição poderia ser suficiente para diferenciar Relações Públicas de
Publicidade e Propaganda ou mesmo de Marketing. Comumente essas três atividades
são confundidas, e muitas vezes o próprio mercado exige isso. Mas enquanto as
duas últimas se preocupam com a venda de produtos e com a criação de mercados
para uma empresa, o papel do Relações Públicas é garantir a criação e a
manutenção da imagem correta da organização, através de um bom diálogo com a
sociedade.
Parece óbvia a afirmação de que uma
instituição deve prezar pelos desejos não só daqueles que consomem seus
produtos e/ou serviços, mas também daqueles que trabalham nela, das pessoas que
fornecem matéria prima, entre outros. Contudo, ainda hoje muitas empresas
parecem pensar que são autossuficientes, ignorando a realidade em que estão
inseridas. É isso o que torna a atividade de Relações Públicas tão importante e
necessária, pois é esse profissional que buscará fazer com as que organizações
se renovem, se adaptem, acompanhando as demandas de um mercado cada vez mais
globalizado.
Mesmo exercendo esse papel de mediador entre
a empresa e seus públicos, ainda falta valorização a essa atividade. Como
estudantes de Relações Públicas, é comum recebermos olhares confusos das
pessoas quando nos perguntam o que fazemos, e esse é um grande alerta para
todos os profissionais da área: se uma atividade não tem seu valor reconhecido
pela sociedade, como ela poderá se firmar?
Um outro grave entrave são os valores
cultivados por nossa sociedade: boa parte dos estudantes e dos profissionais
dessa área são mulheres, o que traz à tona a questão da igualdade de gêneros,
pois muitas vezes não há reconhecimento delas como gestoras ou técnicas de
relações públicas, criando um entrave para o desenvolvimento da profissão. Segundo
pesquisa da Organização para Cooperação do Desenvolvimento Econômico (OCDE),
com dados de 46 países, o salário médio de uma mulher brasileira com educação
superior representa apenas 62% do de um homem com a mesma escolaridade. Preconceitos
como esses devem ser descontruídos, e cabe às organizações gerarem mudanças
para a sociedade, não apenas respondendo às demandas dela.
Da mesma maneira, cabe aos profissionais de
Relações Públicas mostrarem seu valor. James Grunig, um professor americano e
um dos mais famosos estudiosos da área, fala sobre o “empoderamento” da
profissão. Para ele, as oportunidades que se tem para fortalecer a atividade
devem ser aproveitadas. Como dito anteriormente, é comum que as organizações
pensem que podem se portar da maneira como quiserem, e isso faz com que, muitas
vezes, elas prestem atenção aos grupos com que possui uma ligação apenas nos
momentos de crise. Nesses momentos, então, o relações-públicas ganha destaque,
e é em situações assim, por exemplo, que ele deve mostrar o quão útil pode ser
para uma empresa, criando valor para si mesmo.
Apesar das dificuldades citadas, há muito o
que se comemorar, também. Os profissionais de Relações Públicas, hoje, estão
inseridos em todos os tipos de instituições: empresas, agências governamentais,
hospitais, etc. Além disso, cresce, cada vez mais, a oferta de estágios e de
emprego para pessoas formadas na área. Cabe àqueles que já estão inseridos no
mercado, assim como aos estudantes, se destacarem e mostrarem que a atividade
que exercem é importante tanto para as organizações quanto para a sociedade.
AUTORIA:
JOÃO VICTOR
ANA BROLIO

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